A Primeira Guerra Mundial (também conhecida como Grande Guerra antes de 1939, Guerra das Guerras ou ainda como a Última Guerra Feudal) ocorreu entre Agosto de 1914 a 11 de Novembro de 1918, principalmente em territórios europeus.

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A guerra opôs a Tríplice Entente (liderada pelo Império Britânico, França, e até 1917, com a Rússia, e depois de 1917 com os EUA, conjuntamente com vários outros aliados, entre os quais Portugal) que derrotou a Tríplice Aliança (liderada pelo Império Alemão, Império Austro-Húngaro e Império Turco-Otomano).

Tendo um grande impacto na sociedade de então, esta guerra provocou o colapso de quatro impérios e mudou de forma radical o mapa da Europa e do Médio Oriente e o modo de vida de milhões de pessoas.

Tradicionalmente, o assassinato do Arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do Império Austro-Húngaro é apontado como o desencadear da guerra, episódio que accionou um complexo sistema de alianças mútuas. Esta morte foi provocada por um jovem sérvio, membro da organização Mão-Negra, um movimento armado a favor da independência da Sérvia e da queda do Império Austro-Húngaro.

As alianças no início da Primeira Guerra Mundial
As alianças no início da Primeira Guerra Mundial

Descontentes com a acção pouco dura da justiça sérvia, a 28 de Julho de 1914 o Império declarou guerra a este país. Com o sistema de alianças europeias no seu auge, a Europa ficou dividida em dois grandes blocos:

Tríplice Aliança:

Império Alemão
Império Austro-Húngaro
Reino de Itália (até 1915)

Tríplice Entente:

Reino Unido
França
Império Russo (até 1917)
Estados Unidos da América (após 1917)

Em auxílio dos principais envolvidos, participaram também nesta guerra vários países aliados, como Portugal e o Brasil, ao lado da Tríplice Entente.

Um novo Tipo de Guerra

Soldados de Infantaria nas trincheiras
Soldados de Infantaria nas trincheiras

Até então, as batalhas eram normalmente lutadas em campo aberto e fileiras ordenadas de infantaria e cavalaria, directamente uns contra outros.

Porém, na Primeira Guerra, tudo mudo: as batalhas desenvolveram-se principalmente em trincheiras, com milhares de tropas escondidas em túneis e caminhos improvisadamente cavados na terra, durante meses.

A conquista de territórios era feita a poucas centenas de metros de cada vez, com muitos avanços e recuos. Com fracas condições de habitação, higiene e reabastecimento, as doenças e a fome tornaram-se numa das principais causas de morte.

Este conflito trouxe também grandes desenvolvimentos ao armamento utilizado, introduzindo a artilharia pesada de longo alcance, forças aéreas e cavalaria mecanizada (tanques).

A Nova Maré e o Virar da Guerra

Em 1917, a Tríplice Entente perdia um aliado de peso, com a saída do Império Russo da guerra. Apesar de tecnologicamente atrasados, a Rússia contava com um exército de grandes dimensões, o que permitia compensar por outros desafios de armamento. Porém, esta desvantagem convertia as forças armadas russas no exército com maiores baixas, na frente de batalha.

Com a queda do regime e a instauração da União Soviética, os soldados foram chamados a lutar na guerra civil russa, que levou à vitória de Lenine e dos Bolcheviques, não regressando ao teatro de operações europeu.

Porém, esta saída foi compensada com uma entrada de peso: após anos de distanciamento e isolacionismo, os Estados Unidos da América alteram a sua política externa e decidem entrar activamente no conflito, deixando de apenas fornecer mercadorias e armamento.

O Fim da Guerra

Com milhares de novas tropas, trazidas pelos Estados Unidos, nas linhas da frente, e a Tríplice Aliança sem capacidade de obtenção de novos recursos humanos e materiais, as conquistas da Entente foram-se sucedendo.

O jornal americano Chicago Tribune, em 11 de Novembro de 1918
O jornal americano Chicago Tribune, em 11 de Novembro de 1918

Finalmente derrotados, os países da Tríplice Aliança assinaram, a 11 de Novembro de 1918, o tratado de armistício, terminando assim o maior conflito armado que o mundo tinha vivido, até à data.

O Armistício de Compiègne, o tratado de cessar-fogo assinado a 11 de Novembro de 1918, entre os Aliados e a Alemanha, foi realizado dentro de uma carruagem na floresta de Compiègne, terminando assim oficialmente a Primeira Grande Guerra, pelas 11:00 horas desse dia.

Os principais signatários foram o Marechal Ferdinand Foch, Comandante-Supremo Aliado, e Matthias Erzberger, representante do Reich Alemão.

O Pós-Guerra e a Nova Europa

Um ano mais tarde, os vencidos teriam que assinar o Tratado de Versalhes, impondo pesadas compensações de guerra.

Tratado de Versalhes
Tratado de Versalhes

Com uma Europa destruída, e tendo perdido mais de 10 milhões de habitantes, na sua grande maioria homens, a Europa estava diferente: as mulheres, ao serem chamadas a contribuir activamente para os esforços de guerra, ao deixarem um papel doméstico e entrarem no mercado de trabalho, ganhariam um novo papel numa sociedade até então liderada por homens.

Os vencedores, na crença que tinham lutado a guerra das guerras, a última guerra que alguma vez existiria no mundo, celebraram durante anos os novos tempos.

Porém, os vencidos, afogados em pesadas dívidas de guerra e com economias destruídas, sem apoios para recomeçar, não sentiram a mesma felicidade após o conflito… estavam lançadas as sementes para a Segunda Guerra Mundial.

Armistício da Primeira Guerra Mundial