A Conferência de Berlim, realizada entre 15 de Novembro de 1884 e 26 de Novembro de 1885, teve como objectivo organizar e repartir as colónias africanas pelas potências coloniais, não respeitando nem a história, nem as relações étnicas e mesmo familiares dos povos indígenas.

Foi nesta conferência que Portugal apresentou o famoso Mapa Cor-de-rosa, propondo a atribuição dos territórios entre Angola e Moçambique à Coroa Portuguesa, unindo-os numa colónia única.

Desta forma, o Reino procurava facilitar a comunicação entre os seus dois principais territórios coloniais, potencializando o comércio e a indústria.

Não obstante do apoio dos conferencistas, Portugal encontrou resistência aos seus planos na sua antiga aliada: a Inglaterra.

Mapa Cor-de-Rosa - Proposta do Império Português, na Conferência de Berlim
Mapa Cor-de-Rosa – Proposta do Império Português, na Conferência de Berlim

Negando as pretensões portuguesas, o Reino Unido exigia que os territórios entre África do Sul e o Egipto forem entregues a si, para criação da C-to-C, a linha ferroviária que ligaria o Cairo à Cidade do Cabo.

Não pretendendo abdicar da sua proposta, Portugal manteve o seu mapa inicial, vendo-se posteriormente confrontado com um violento ultimato inglês: a Armada Britânica enviou uma fragata para o Rio Douro, ameaçando abrir fogo sobre a cidade do Porto, caso não desistisse de unir Angola a Moçambique.

Sem capacidade militar de resistir ao possível confronto, Portugal optou por anular o seu projecto inicial, mantendo os mesmos territórios que possuía antes da Conferência.

No fim das reuniões, o Império Britânico passou a administrar toda a África Austral (com excepção das colónias portuguesas), o Sudoeste Africano, toda a África Oriental (com excepção do Tanganhica) e partilhou a costa ocidental e o norte com a França, a Espanha e Portugal (Guiné-Bissau e Cabo Verde).

O Congo, que inicialmente estava no centro da disputa, emprestando o nome à própria conferência, permaneceu sob “propriedade” da Companhia Internacional do Congo, cujo principal accionista era o Rei Leopoldo II da Bélgica, não se constituindo como uma colónia da Bélgica, mas um território privado corporativo.

Após as conferências de Berlim, África ganhou a forma que hoje conhecemos, dividida a “régua e esquadro”:

Conferência de Berlim e a Partilha de África