Loba alimentando Rómulo e RemoA fundação de Roma a 1 de Janeiro de 753 a. C. é, lendariamente, atribuída a Rómulo e Remo. Diz a lenda que quando Tróia caiu mas o príncipe troiano Eneias conseguiu salvar-se. Após uma longa peregrinação, chegou ao Lácio. Eneias ter-se-ia fixado junto ao rio Tibre, onde se casou com uma filha do rei Latino. O filho de Eneias fundou a cidade de Alba Longa. O tempo passou e os descendentes de Eneias reinavam em Alba. Um deles, Numitor, três séculos mais tarde, foi deposto e aprisionado por Amúlio, o seu irmão. Amúlio matou um sobrinho e, para que não houvesse descendência, colocou a sua sobrinha, Reia Silvia, num colégio de Vestais, transformando-a em Vestal.

Um dia, segundo a versão mais corrente da lenda, a jovem vestal terá ido buscar água para um sacrifício num bosque sagrado, junto ao rio Tibre, quando foi seduzida por Marte, deus romano da guerra, que a engravidou, tendo nascido desta união proibida dois gémeos, Rómulo e Remo. Quando nasceram, foram abandonados numa cesta e atirados ao rio Tibre, a mando do seu tio Amúlio. Rómulo e Remo foram salvos por uma loba enviada por Marte, quando chegaram ao local da actual Roma. A loba criou-os juntamente com as suas crias, na sua gruta, no Lupercal, o que garantiu a sua sobrevivência. Depois, um casal de pastores, Fáustulo e Larência, encontrou-os e criou-os.

Gravuras romanasJá adulto, Remo envolveu-se numa rixa com alguns pastores e foi conduzido a Amúlio. Informado por Fáustulo das circunstâncias do seu nascimento, Rómulo dirigiu-se ao palácio e libertou o irmão. Vingaram-se do tio, colocando, em seu lugar, Numitor, o seu avô, novo rei de Alba. Com isso, ganharam o direito de fundar uma cidade onde loba os encontrou, que foi Roma, no ano de 753 a.C.

Rómulo, para demarcar o território da cidade, traçou em torno de Palatino um grande sulco circular, demarcando com uma charrua guiada por dois bois brancos. A terra remexida simbolizava uma muralha e o sulco simbolizava o fosso. Este sulco circular não era completamente fechado, apresentando interrupções onde seriam os portões da cidade. Mas Remo, para mostrar ao irmão que aquelas muralhas não valiam de nada, saltou por cima delas, ridicularizando a obra do irmão. Este, furioso, matou-o com golpes de espada, sendo este o sacrifício sangrento necessário para a fundação de Roma. Rómulo arrependeu-se, posteriormente, chorando a morte do irmão, mas o destino estava traçado. A rivalidade que sempre existiu entre os bairros da Roma antiga, Aventino e Palatino, é explicada pela divergência entre os dois irmãos, Rómulo e Remo.

Uma das entradas originais de RomaRómulo, para povoar a cidade e dado que os recursos locais eram insuficientes, permitiu que se alojassem, nos arredores de Roma, exilados, devedores insolentes, homicidas e escravos fugidos. Para além disso, para assegurar a continuidade da população da cidade, foi preciso arranjar mulheres. Deu-se então o rapto das Sabinas, causando uma guerra contra os sabinos, que acabou, no entanto, com um tratado de união entre os dois povos. A segunda geração romana era, deste modo, uma mistura entre habitantes das colinas romanas, latinos e sabinos, fusão que estará na origem da formação étnica do povo de Roma. Diz a lenda que, quando morreu, Rómulo foi levado para os céus por seu pai, o deus Marte, tendo sido, mais tarde, adorado sob a forma do deus Quirino.

Essa história é apenas uma lenda, mas existem informações verdadeiras. A primeira é que os fundadores de Roma criavam gado, conheciam metalurgia e praticavam a agricultura. Essas informações foram comprovadas pela arqueologia. A segunda informação é que Roma foi primeiramente uma Monarquia, e que o primeiro rei chamava-se Rómulo.

Fundação de Roma