GóisDamião de Góis nasceu a 2 de Fevereiro de 1502 em Alenquer, e morreu a 30 de Janeiro de 1574, parece que também em Alenquer.

Góis foi uma figura ímpar do renascimento português, historiador e grande humanista, tinha uma mente enciclopédica e foi um dos espíritos mais críticos da sua época. Foi um verdadeiro traço de união entre Portugal e a Europa culta do século XVI.

Efectuou várias missões diplomáticas e comerciais na Europa entre 1528 e 1531. Em 1533 abandonou o serviço oficial do governo português e dedicou-se exclusivamente aos seus propósitos de humanista. Tornou-se amigo íntimo do humanista holandês Desiderius Eramus, com quem conviveu em Basileia, em 1534, e que o guiou nos seus estudos assim como nos seus escritos. Estudou em Pádua entre 1534 e 1538 onde foi contemporâneo dos humanistas italianos Pietro Bembo e Lazzaro Buonamico. Pouco tempo depois fixou-se em Lovaina por um período de seis anos.

Damião de Góis foi feito prisioneiro durante a invasão francesa da Flandres mas foi libertado pela intervenção de D. João III que o trouxe para Portugal. Em 1548 foi nomeado Guarda-Mor dos Arquivos Reais da Torre do Tombo, e 10 anos mais tarde foi escolhido pelo Cardeal D. Henrique para escrever a crónica oficial do Rei D. Manuel I, que foi completada em 1567.

No entanto este seu trabalho histórico desagradou algumas famílias nobres, e em 1571 Damião de Góis caíu nas garras da Inquisição, de maneira brutal, pois foi preso, sujeito a processo e depois transferido para o Mosteiro da Batalha. Trágico fim de vida, pois abandonado pela sua família, apareceu morto, com suspeitas de assassinato, na sua casa de Alenquer, a 30 de Janeiro de 1574, sendo enterrado na igreja de Santa Maria da Várzea, da mesma vila.

As suas maiores obras em Latim e em Português são históricas. Incluem a Crónica do Felicíssimo Rei Dom Emanuel e a Crónica do Príncipe Dom João. Ao contrário do seu contemporâneo João de Barros, ele manteve uma posição neutra nas suas crónicas sobre o Rei D. Manuel I e do seu filho o príncipe João, depois João III de Portugal.

Damião de Góis