Miguel TorgaMiguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia Rocha, nasceu em São Martinho de Anta, concelho de Sabrosa, Alto Douro, no dia 12 de Agosto de 1907, e faleceu em Coimbra a 17 de Janeiro de 1995. Torga foi um dos mais importantes escritores portugueses do século XX.

Filho de gente humilde do campo, frequentou durante pouco tempo o seminário, emigrando depois para o Brasil em 1920, com 12 anos, para trabalhar na fazenda do tio, na cultura do café. O tio apercebe-se da sua inteligência e patrocina-lhe os estudos, em Leopoldina. Distingue-se como um aluno dotado. Em 1925 regressa a Portugal. Em 1927 é fundada a revista Presença de que é um dos colaboradores desde o início. Em 1928 entra para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e publica o seu primeiro livro, Ansiedade, de poesia. É bastante crítico da praxe e tradições académicas, e chama depreciativamente farda à capa e batina, mas ama a cidade de Coimbra, onde viria também a exercer a sua profissão de médico a partir de 1939 e onde escreve a maioria dos seus livros.

A obra de Torga tem um carácter humanista, pois é criada nas serras transmontanas, entre os trabalhadores rurais, assistindo aos ciclos da Natureza. Torga aprendeu o valor de cada homem, como criador e propagador da vida e da Natureza. É esta capacidade de moldar o meio, de verdadeiramente fazer a Natureza mau grado todas as limitações de bicho, de ser humano mortal que, ao ver de Torga fazem do homem único ser digno de adoração.

Considerado por muitos como um avarento de trato difícil e carácter duro, foge dos meios das elites pedantes, mas dá consultas médicas gratuitas a gente pobre e é referido pelo povo como um homem de bom coração e de boa conversa. Foi o primeiro vencedor do Prémio Camões.

Miguel Torga