Arquivo de 02 Março 2007

Eclipse Total da Lua

Os portugueses vão poder assistir no primeiro Sábado de Março ao primeiro eclipse total da Lua desde 2004, visível em toda a Europa, África e Ásia ocidental.

O fenómeno terá início às 21h30 de 3 de Março, depois de a Lua entrar em penumbra às 20h18, e terminará à 01h20 dessa noite, com o eclipse total a ocorrer entre as 22h44 e as 23h58, precisou, em declarações à agência Lusa, a astrónoma Albertina do Campo, do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL).

Se as nuvens não interferirem, a Lua cheia estará nessa noite bastante alta no céu, virada a Sul, em muito boas condições para se observar a sua ocultação.

O eclipse resulta da interposição da Terra entre o Sol e a Lua, que fará projectar nela a sua sombra em forma de cone. Mesmo no meio da fase de ocultação total, às 23h21, a Lua não irá desaparecer completamente devido a radiações luminosas de partículas da atmosfera terrestre que se projectam nela. É por isso que o disco lunar estará sempre visível, com várias tonalidades entre o cinzento e o avermelhado, explicou a astrónoma do OAL.

Gorbatchov

Mikhail Sergueievitch Gorbatchov, ou Gorbachev, nascido a 2 de Março de 1931, foi o último Secretário-geral do Comité Central do Partido Comunista da União Soviética de 1985 a 1991. As suas tentativas de reforma conduziram ao final da Guerra Fria e, ainda que não tivesse esse objectivo, terminou com o poder do Partido Comunista da União Soviética, levando à dissolução da União Soviética.

Carreira Política

Estudou Direito na Universidade de Moscovo, onde conheceu a sua futura esposa, Raíssa. Casaram-se em Setembro de 1953 e fixaram-se na terra natal de Gorbatchov, Stavropol, no sul da Rússia, onde se licenciou 1955.

Mikhail Gorbatchov inscreveu-se no Partido Comunista em 1952, com 21 anos de idade. Em 1966, com 35 anos, completou os estudos no Instituto Agrícola como economista-agrónomo. Começou, então, a progredir rapidamente na sua carreira política. Em 1970 foi nomeado Primeiro Secretário da Agricultura e, no ano seguinte, membro do Comité Central. Em 1972, dirigiu uma delegação soviética à Bélgica e, dois anos mais tarde, em 1974, tornou-se representante do Soviete Supremo. Fez parte do Politburo em 1979. Aí, recebeu a protecção de Iuri Andropov, chefe do KGB, também natural de Stavropol, e foi promovido durante o breve período em que Andropov se tornou líder do partido, antes da sua morte em 1984.

As posições que tomou no partido deram-lhe a oportunidade de realizar viagens a diversas partes do mundo, o que terá influenciado o seu ponto de vista político e social, como líder do seu país. Em 1975, dirige uma delegação à República Federal da Alemanha e em 1983 lidera outra ao Canadá, onde se encontra com o primeiro-ministro Pierre Trudeau, com os membros da Câmara dos Comuns e do Senado.

O seu Governo

Com a morte de Konstantin Chernenko, Mikhail Gorbatchov, com 54 anos de idade, é eleito secretário geral do Partido Comunista a 11 de Março de 1985. Sendo, efectivamente, o líder da União Soviética.

Em 1985, viajou até ao Reino Unido, onde se encontrou com Margaret Thatcher. A partir do seu governo, Gorbatchov tenta reformar o partido, que dava então mostras de decadência, ao apresentar o seu projecto que se resumia nas expressões glasnost (transparência) e perestroika (reestruturação), que é apresentado no 27.º Congresso do Partido Comunista Soviético, em Fevereiro de 1986.

Em 1986, Gorbatchov tem de lidar com a explosão do reactor da Usina Nuclear de Chernobyl, localizada na Ucrânia, que provocou uma onde de radiação por toda a Europa. A desorganização e as informações escassas na época contribuíram para que o regime comunista já estivesse no fim.

Em 1988, Gorbatchov anuncia que a União Soviética abandonava oficialmente a Doutrina Brejnev, ao admitir que a Europa de Leste adoptasse regimes democráticos, se desejassem. Mais tarde, por piada, auto-denominou esta disposição como Doutrina Sinatra. Isto levou à corrente de revoluções de 1989, nos países de leste, através das quais o Comunismo caiu. Revoluções estas que se realizaram de forma pacífica, como na Alemanha, com a queda do muro de Berlim, sendo que houve excepção no caso da Roménia. Terminava assim a Guerra fria, o que justificou a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Gorbatchov, em 15 de Outubro de 1990.

Contudo, a democratização da URSS e dos países de Leste, ao levar à perda de poder do Partido Comunista, conduziu à situação que culminou com o Golpe de Agosto de 1991, como objectivo de o retirar do poder. Durante este tempo foi forçado a passar três dias numa prisão na Crimeia, antes de ser libertado e voltar ao poder. Nessa altura, Boris Ieltsin começou a receber mais apoios em detrimento de Gorbatchov. Este viu-se obrigado a demitir um grande número de membros do Politburo e, em vários casos, houve ordem de prisão. Gorbatchov foi eleito como primeiro Presidente executivo da União Soviética em 15 de Março de 1990 mas resignou a 25 de Dezembro de 1991.

Vida pós-Soviética

Em termos gerais, Gorbatchov é bem visto no mundo ocidental graças à sua contribuição para o fim da Guerra Fria. Contudo, na Rússia, a sua reputação não é tão favorável devido à crise económica e social que se instalou logo após a queda da URSS.

Criou a Fundação Gorbatchov em 1992. Em 1993, fundou também a Cruz Verde Internacional. Foi um dos principais promotores da Carta da Terra, em 1994. Tornou-se, igualmente, membro do Clube de Roma. Em 1997, Gorbatchov entrou num anúncio da Pizza Hut, que passou na televisão norte-americana, com o fim de obter fundos para os Arquivos Perestroika.

A 26 de Novembro de 2001, Gorbatchov fundou, igualmente, o Partido Social Democrata Russo.

No início de 2004, Gorbachev registou a sua marca de nascença, na testa, devido à sua utilização por uma marca de vodka que lhe fazia referência. É irónico, pois enquato no poder, Gorbachev combateu o alcoolismo, com várias leis.

Em 8 de Fevereiro de 2004, foi galardoado com um Grammy, juntamente com Bill Clinton e Sophia Loren pela narração conjunta do disco Prokofiev: Peter and the Wolf/Beintus: Wolf Tracks, sobre Pedro e o Lobo de Prokofiev e uma versão moderna da história, com intuitos ecológicos, o que vai ao encontro das preocupações ambientais que têm marcado os últimos anos.

Chicago, Chicago!

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Um belo clássico por Frank Sinatra

Guerra das Laranjas

A Guerra das Laranjas foi um curto episódio militar entre Portugal e a Espanha em 1801, antes da Guerra Peninsular, com extensos desdobramentos, quer na península Ibérica, quer no ultramar português. Este episódio dramático na História de Portugal, reveste-se de particular importância por ter iniciado a Questão de Olivença.

Antecedentes

Os antecedentes deste conflito remontam ao confronto entre a França e a Inglaterra pela hegemonia no plano internacional, envolvendo a Espanha e Portugal, como respectivos estados-satélites e, episodicamente, no contexto do golpe do 18 Brumário, que conduziu Napoleão Bonaparte ao poder em Novembro de 1799.

Neste momento, ao se iniciar o século XIX, o governo de D. Maria I de Portugal queria equilibrar-se entre as duas potências no tabuleiro europeu, através de uma política externa neutral. Os ganhos com esta política foram duplos, uma vez que sob o manto desta neutralidade, o comércio português atendeu a ambos os lados em conflito.

A França, desejosa de romper a aliança anglo-portuguesa, e assim fechar os portos portugueses ao comércio britânico, pressionou a Espanha para invadir Portugal. A pressão sobre Portugal aumentou aquando do seu envolvimento na destruição da Armada Espanhola ao largo do cabo de São Vicente e, posteriormente, pela participação no bloqueio inglês a Alexandria, em Julho de 1798. Mais tarde, em 1800, através da assinatura de um terceiro Tratado de Santo Ildefonso, a França obteve novas concessões da Espanha. Em consequência, ambos os países assinaram uma Convenção, pela qual um ultimado conjunto foi apresentado a Portugal, forçando:

  • abandonar aliança com a Inglaterra, fechando-lhe os seus portos;
  • abrir os seus portos à França e à Espanha;
  • entregar território correspondente a ¼ da população metropolitana como garantia da devolução ou concessão de ilhas espanholas em mãos inglesas, neste caso Trinidad, Minorca e Malta;
  • pagar reparações de guerra à França e à Espanha;
  • rever os limites fronteiriços com a Espanha.

Caso Portugal se recusasse a aceitar os termos deste ultimato, seria invadido pela Espanha, para o que a França contribuiria com um efectivo de 15.000 homens.

Os efectivos

Embora Portugal tenha enviado um negociador para a Corte de Madrid, a contestar a intimação, a Guerra foi declarada. O Exército português contava no início de 1801 com apenas 2.000 cavaleiros e 16.000 infantes, sob o comando de D. João Carlos de Bragança Sousa e Ligne, 2.º duque de Lafões.

Pelo lado espanhol, em Março, o primeiro-ministro espanhol Manuel de Godoy foi nomeado comandante-em-chefe das tropas de invasão, cujo efectivo ascendia a 30.000 homens. Pelo lado francês, em Abril, as tropas sob o comando do general Leclerc, o cunhado de Napoleão, começaram a chegar a Espanha. Diante do rápido desfecho do conflito, não tiveram oportunidade de entrar em combate.

A Campanha

A 20 de Maio, o exército espanhol penetrou em Portugal pelo Alentejo, ocupando, sem resistência, a Praça-forte de Olivença, feito que se repetiu com a Fortaleza de Juromenha, Arronches, Portalegre, Castelo de Vide, Barbacena e Ouguela. A Praça-forte de Campo Maior resistiu por 18 dias antes de cair com honras militares e a Praça-forte de Elvas resistiu com êxito. No curto espaço de dezoito dias, o exército espanhol era senhor da região do Alto-Alentejo.

A designação do conflito tem origem num episódio ocorrido no cerco a Elvas, em Maio de 1801. Dois soldados espanhóis teriam colhido dois ramos de laranjeira com frutos, que foram remetidas frescas do comandante, Manuel de Godoy, à rainha Maria Luísa, esposa de Carlos IV de Espanha, com a mensagem: Eu careço de tudo, mas sem nada irei para Lisboa.

O Tratado de Badajoz

Surpreendido e em desvantagem, Portugal assinou o Tratado de Badajoz, no dia 6 de Junho de 1801, que entre os seus artigos, estipulava:

  • A paz entre as duas nações, em toda a extensão dos seus reinos e domínios, em terra e no mar;
  • O encerramento dos portos de Portugal e de todos os seus domínios aos navios da Inglaterra;
  • A restituição, pela Espanha, das praças e povoações de Juromenha, Arronches, Portalegre, Castelo de Vide, Barbacena, Campo Maior e Ouguela, conservando, em qualidade de Conquista a Praça de Olivença, seu Território, e Povos desde o Guadiana, estipulando-se a linha de fronteira, naquele território, pelo rio Guadiana;
  • Proibição de contrabando nas fronteiras entre ambos os países;
  • Pagamento por parte de Portugal à Espanha, das despesas incorridas por esta na guerra;

Os termos do tratado foram ratificados pelo Príncipe-Regente de Portugal no dia 14 e pelo rei da Espanha a 21 do mesmo mês, mas foram rejeitados por Napoleão Bonaparte. Um novo Tratado foi celebrado, a 29 de Setembro de 1801, que, se por um lado formulou imposições mais severas a Portugal, por outro, evitou uma nova violação do seu território.

King Kong

Estreia absoluta, em New York, no dia 2 de Março de 1933:

A Emenda Platt

A Emenda Platt foi um dispositivo legal, inserido na Carta Constitucional de Cuba, que autorizava os Estados Unidos da América a intervir naquele país a qualquer momento, desde que interesses recíprocos de ambos os países fossem ameaçados. Desta forma, na prática, Cuba passou a ser um protectorado norte-americano.

Antecedentes

Muitos historiadores afirmam que, já em meados do século XIX, o senador norte-americano James Bayard Jr. teria declarado que os interesses futuros, não apenas dos Estados Unidos, mas da civilização e do progresso humanos, estavam profundamente envolvidos na aquisição de Cuba pelos Estados Unidos.

No final da Guerra de Independência de Cuba, contra a Espanha, em 1898, os Estados Unidos envolveram-se no conflito, sob o pretexto de um suposto ataque contra um dos seus navios de guerra, ancorado na ilha. A vitória sobre as forças espanholas foi rápida, mas os Estados Unidos mantiveram o seu aparelho militar na ilha, a pretexto da defesa dos seus interesses, ao mesmo tempo da elaboração da nova Constituição da ilha.

A Emenda Platt

Em 1901, os cubanos foram persuadidos a incluir, na sua nova Constituição, uma Cláusula que garantia aos Estados Unidos o direito de intervenção em Cuba, sempre que os seus interesses estivessem ameaçados, mesmo após o término da sua ocupação militar, a ocorrer em 1902.

Protectorado

O dispositivo exemplifica, na prática, a aplicação da chamada Política do Big Stick, na qual o exercito podia usar a força para resolver problemas num dos Estados, formulada pelo Presidente Theodore Roosevelt. Nos anos seguintes, os investimentos americanos na ilha ampliaram-se consideravelmente, fomentando a produção do açúcar e os sectores de transportes, serviços e de turismo.

A Emenda Platt, na prática, mantinha Cuba um protectorado norte-americano até 1933, quando um movimento popular conduziu ao poder Fulgêncio Batista, que iniciou um grande processo de reformas sociais.

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes