A origem geográfica da pandemia de gripe de 1918 e 1919 é desconhecida. A designação de Gripe Espanhola deu origem a um amplo debate na literatura médica da época. As circunstâncias que deram origem ao nome, gripe espanhola, deve-se ao facto de a Espanha, não participando na Primeira Guerra Mundial, ter noticiado que civis do norte, principalmente nas regiões fronteiriças com a França, estavam a morrer em grande escala, devido a uma forma de gripe.

É muito provável que a doença tenha chegado primeiro ao estado do Kansas, nos EUA, por meio de chineses que vieram trabalhar na retaguarda dos exércitos aliados. Os primeiros casos de gripe ocorreram em Abril de 1918, em tropas francesas, britânicas e americanas, estacionadas nos portos de embarque na França.

Em Maio, a doença atinge a Grécia, Espanha e Portugal. Já em Junho, a Dinamarca e a Noruega e em Agosto, os Países Baixos e a Suécia. Só em Setembro atinge o continente americano.

Todos os exércitos estacionados na Europa foram severamente afectados pela doença, calculando-se que cerca de 80% das mortes da armada dos EUA foram causadas pela gripe.

A pandemia desenvolve-se em três ondas epidémicas:

  • a primeira, mais benigna, termina em Agosto de 1918;
  • a segunda, que se inicia no outono e termina entre os meses de Dezembro e Janeiro, tendo sido de extraordinária gravidade, afectando uma grande parte da população e com uma taxa de mortalidade de 6 a 8%;
  • a terceira e última, que começa em Fevereiro de 1919 e termina em Maio do mesmo ano.

A pandemia caracterizou-se mundialmente pela elevada mortalidade e pelas complicações associadas. Calcula-se que afectou 50% da população mundial, tendo morto de 20 a 40 milhões de pessoas. A falta de estatísticas confiáveis, principalmente no Oriente, como na China e na Índia, pode ocultar um número ainda maior de vítimas.

Em Portugal, verificou-se uma elevadíssima taxa de mortalidade, com duas ondas epidémicas e uma ocorrência muito marcada entre os 20 e os 40 anos.

A Gripe Espanhola