António José de Ávila, Conde de Ávila, depois primeiro marquês e primeiro Duque de Ávila e Bolama, nasceu a 8 de Março de 1807, na cidade da Horta, na Ilha do Faial, Açores e morreu a 3 de Maio de 1881, em Lisboa. O Conde de Ávila foi um político conservador do tempo da Monarquia Constitucional em Portugal. Entre outras funções, foi ministro das Finanças e, por três vezes, Presidente do Conselho de Ministros.

Biografia

António José de Ávila nasceu a 8 de Março de 1807, numa modestíssima habitação da Rua de Santo Elias, da freguesia da Matriz da então vila da Horta, Ilha do Faial, Açores, filho de Manuel José de Ávila, sapateiro de ascendência picoense, e de Prudenciana Joaquina Cândida, lavadeira, oriunda de famílias pobres da Matriz da Horta.

Dos dez filhos do casal, apenas quatro sobreviveram até atingir a idade adulta, o que diz das condições de vida da família. Entre os filhos que atingiram a idade adulta, António José, o futuro duque, era o rapaz mais velho, apenas precedido por sua irmã Joaquina Emerenciana.

Durante a infância de António José, as condições económicas da família melhoraram substancialmente, tendo o pai enveredado pelo comércio e conseguído amealhar alguns recursos. Tanto assim é que, quando António José termina com excepcional brilho os poucos estudos então disponíveis no Faial, já o pai dispunha de meios suficientes para lhe permitir estudos fora da ilha, o que então era privilégio de poucos.

Então, com apenas 15 anos, Ávila matriculou-se na Universidade de Coimbra, onde estudou filosofia natural e os preparatórios de Matemática. Frequentou também naquela Universidade o primeiro ano de Medicina.

Com o início da Guerra Civil de 1832-34, regressou aos seus Açores, onde se achava o governo liberal no exílio, tornando-se um político local de grande sucesso. Após o fim da guerra, foi eleito pela primeira vez para as Cortes, pelo círculo dos Açores. Durante 26 anos consecutivos, foi deputado da Nação ao Parlamento.

Em termos ideológicos, Ávila aproximou-se da facção mais conservadora dentro do liberalismo português, o cartismo, tornado-se oposição ao governo progressista que tomou o poder em Setembro de 1836, na sequência da Revolução de Setembro. Com o fim dos ciclo de governos setembristas, Ávila tornou-se ministro das Finanças, cargo que manteve durante os governos de Costa Cabral e do Duque da Terceira. Só com a subida ao poder de Saldanha, abandonou o governo. Em 1857, no primeiro governo do Duque de Loulé, voltou a assumir a pasta da Fazenda.

Quando, em 4 de Janeiro de 1868, se deu a Janeirinha, que pôs termo ao governo de coligação a que presida Joaquim António de Aguiar, Ávila foi chamado a exercer as funções de Primeiro-Ministro. Enquanto Primeiro-ministro, Ávila revogou o imposto que causara a impopularidade e queda do governo anterior, mas tal agravou as dificuldades financeiras do Estado, pelo que acabaria por cair em 22 de Julho do mesmo ano.

Voltaria ainda a ser ministro das Finanças, e de novo Primeiro-Ministro entre 29 de Outubro de 1870 e 13 de Setembro de 1871, altura em que foi substituído por Fontes Pereira de Melo. Foi então designado para presidir à Câmara dos Pares, em substituição do Duque de Loulé. Mais tarde, em 1877, devido ao descontentamento popular, o governo Fontes caiu, e Ávila foi de novo chamado a formar governo, o qual durou dez meses, até Fontes voltar ao Poder.

No ano seguinte, foi condecorado com o título de Duque de Ávila e Bolama, em recompensa pelos serviços prestados ao País, e como gratificação pelas negociações por si encetadas, tendo em vista a posse da ilha de Bolama, na Guiné, por Portugal.

Duque de Ávila – 200 anos