O Papa João XXII, nascido Jacques d’Euse no ano de 1249, e falecido em Avinhão, a 4 de Dezembro de 1334, era o filho de um sapateiro em Cahors. João XXII estudou Medicina em Montpellier e Direito em Paris.

O período de dois anos de sede vacante entre a morte de Clemente V, em 1314, e a eleição de João XXII, em 1316, deveu-se às desavenças extremas entre os cardeais, os quais estavam divididos em duas facções. Depois de dois anos, Felipe V de França articulou finalmente a realização de um conclave com 23 cardeais em Lyon e, através de um engodo, prendeu os cardeais numa igreja até que a eleição estivesse concluída. Os cardeais então elegeram-no como Papa, sendo coroado em Lyon. Este Papa decidiu que a residência papal seria em Avinhão e não em Roma. João XXII envolveu-se em movimentos políticos e religiosos de muitos países europeus, com o objectivo de promover os interesses da Igreja, tornando-se um Papa muito controverso no seu tempo.

Antes da eleição de João XXII, decorreu uma disputa pela coroa imperial entre Luís IV da Bavária e o seu oponente Frederico I da Áustria. João XXII foi neutro a princípio, mas, em 1323, quando Luís IV venceu a disputa e se tornou o Santo Imperador Romano, os partidos Gelfo (papal) e Gibelino (imperial) iniciaram uma disputa muito séria. Esta foi parcialmente causada pelas aclamações extremas da autoridade de João XXII sobre o Império e parcialmente pelo apoio de Luís IV aos Franciscanos espirituais, os quais João XXII havia condenado por sua insistência na pobreza evangélica. Luís IV tinha assistência de Marsilius de Pádua, e mais tarde do monge britânico William de Ockham. Luís IV invadiu a Itália, entrou em Roma e designou Pietro Rainalducci como o Antipapa Nicolau V, em 1328. O plano foi um fiasco, e a superioridade dos Gelfos em Roma foi mais tarde restaurada. Ainda assim, Luís IV tinha silenciado as aclamações de autoridade do Papa, e este permaneceu o resto da sua vida em Avinhão.

Papa João XXII