434 Anos de Alcacér-Quibir

Hoje assinalam-se 434 anos da Batalha de Alcacér-Quibir, ou Al Quasr al-kibr. Esta batalha, também conhecida no mundo árabe como a Batalha dos Três Reis, foi travada no norte de Marrocos, perto da cidade de Ksar-El-Kebir, no fatidico dia 4 de Agosto de 1578.

Liderando o Reino de Portugal, Dom Sebastião e o Sultão Mulay Mohammed lutaram contra o exércio do Império Otomano, liderado pelo Sultão de Marrocos, Mulei Moluco. Esta batalha resultou na morte e desaparecimento da maior parte da elite nobre e guerreira de Portugal, bem como de Dom Sebastião e dos Sultões (origem do nome Batalha dos Três Reis).

Segundo diversos relatos da época, a batalha terminou após 4 horas de combate intenso com a completa derrota dos exércitos de Dom Sebastião e Abu Abdallah Mohammed II Saadi, contabilizando quase 9.000 mortos e 16.000 prisioneiros, nos quais se incluem grande parte da nobreza portuguesa.

Este resultado desastroso trouxe graves consequências para Portugal. A principal e mais directa consequência foi a crise dinástica: com a morte de Dom Sebastião, o trono passou para o seu tio, o Cardeal Dom Henrique, que veio a falecer pouco tempo depois sem descendentes. Após anos incertos, o Conselho de Governadores do Reino, convocado por Dom Henrique pouco antes da sua morte, atribui o trono a Filipe de Espanha, apesar das revoltas populares.

Durante a Batalha de Alcacér-Quibir, morreram 203 nobres durante a batalha, criando um grande vazio de poder no Reino de Portugal. Pode ver uma lista completa aqui.

Outra consequência para o Reino de Portugal foi a bancarrota, devido aos elevados custos das operações militares e dos resgates dos prisioneiros. Também é de salientar que, devido ao grande número de nobres mortos, ocorreu um grande vazio de poder a nível regional e local, muitos destes sem sucessores directos. Aproveitando a invasão militar do reino, por parte de Filipe de Espanha, alegando a protecção do seu trono por direito, muitos dos feudos deixados vazios pela morte dos nobres em batalha foram ocupados pela nobreza espanhola, ficando nesta situação até 1640.